Os textos da Liturgia dos Mortos, na Igreja Católica Romana, apresentam-se em dois destacados conjuntos: aqueles consolidados pelo Missal de Pio V e os da reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II. Os sentimentos que permeiam estes textos são profundamente marcantes e antagônicos e destacá-los constitui o objeto deste trabalho. Longa é a história e os antecedentes dos textos consolidados em 1570, por ocasião do Concilio de Trento. Em sua inspiração, estão muitos distantes da primitiva e libertadora visão cristã de morte. Dominados pelos sentimentos de culpa, medo, angústia e incerteza, revelam distorcidas visões do Cristo Salvador e deixam à mostra, raízes marcadas pelos pavores que assolaram o Ocidente medieval. Estes textos, que resultam de uma longa vivência litúrgica, foram estratificados pela Reforma Católica e assim permaneceram até o Concílio Vaticano II. Os sentimentos decorrentes destes textos impregnaram a vida devota, os exercício de espiritualidade e, principalmente, a visão cristã da morte e do encontro com Deus. A distorção e morbidez que definiam o fim último do homem deixaram profundas marcas na espiritualidade e vivência do cristão católico durante o s seis últimos séculos. O sopro do Espírito Santo, captado por João XXIII, REUNIU , reuniu a Igreja em Concílio e entre suas primeiras recomendações, a Constituição “Sacrossanctum Concilium” proclamou que o rito das exéquias deveria exprimir mais claramente a índole pascal da morte cristã. Os novos textos, ora oferecidos à liturgia dos mortos, são marcados pela esperança e pela fé na ressurreição. A morte passa a ser vista como um momento do encontro com o Pai, a passagem desta pra a vida definitiva junto a Deus. Os sentimentos agora são de confiança, esperança, alegria até o encontro com o Pai. Os textos consolidados por Trento ainda exercem sua secular influência mas, uma atenta pastoral, pouco a pouco, iluminará a vida e a morte do cristão católico através de uma liturgia renovada.